Abraços Partidos

8 12 2009

Antes de ir ao cinema eu tinha lido uma crítica sobre o novo longa de Almodóvar, e após a sessão eu acabei concordando com as impressões do crítico. Abraços Partidos realmente não é tão bom como Má Educação ou Fale com Ela, mas também não chega a ser ruim ao ponto de não valer o ingresso.

Em Los Abrazos Rotos, o diretor retoma alguns temas que lhe são caros como a paixão e o próprio cinema. Esse último se torna claro quando vemos no filme outros dois, além dele mesmo. No centro da trama, encontra-se o cineasta Harry Caine (Lluís Homar) que tem um percurso trágico após o envolvimento arrebatador com Lena, uma aspirante à atriz vivida por Penélope Cruz.  Ele a conhece durante a montagem do elenco para o filme “Chicas y Maletas”, e se encanta pela beleza da ex-secretária.

Naquela época, quando ainda se chamava Mateo Blanco, os dois se apaixonam durante as gravações e mantém um caso, que não passa despercebido porque o tempo todo são  vigiados pela câmera do filho do namorado de Lena. O garoto, à pedido do pai, produz um documentário no qual revela os amantes.

Toda esta história é narrada em flashback. Um passado de mais de uma década que é evocado após o misterioso Raio-X procurar o ex-diretor de cinema Mateo Blanco, até então conhecido como Harry Caine. A visita de Raio-X faz reviver alguns fantasmas, que envolvem a vida de todos os personagens da trama e, consequentemente, provocam o aparecimento de algumas revelações.

Alguns comentários sobre Los Abrazos Rotos criticaram a possível repetição do diretor em relação aos seus próprios filmes. Como, por exemplo, a grande semelhança de uma das cenas com passagens de Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos.

(fotos: divulgação)

Apesar disso, há também momentos marcantes do filme que o singulariza. E para ter uma idéia das alfinetadas da vez, Almodóvar não deixa de cutucar a recente onda de filmes adolescentes com temática vampiresca, mais precisamente a saga Crepúsculo.  É uma parte divertida do filme quando Diego, filho de Judit García, agente de produção de Harry, conta para ele um possível roteiro de um longa sobre vampiros!





No distance left to run

4 12 2009

Esse é o nome do documentário sobre a banda inglesa Blur que tem data de estréia para janeiro de 2010. O filme contem imagens dos bastidores da turnê realizada neste ano e pretende mostrar a trajetória do grupo desde 1989. Talvez um presente de ano novo para os fãs, pois segundo Damon Albarn (vocalista e líder da banda) não haverá mais shows além desses.                 Portanto a chance de vê-los tocando juntos novamente apenas em filme é muito grande.

Trailer de No distance left to run, via Indieoteca.





Cinema e música eletrônica

2 12 2009

Uma combinação no mínimo inusitada. É o que propõe o projeto da festa BIRDS ATTACK ((on)) VERTIGO, que vai acontecer no próximo sábado, 05/12, no Deputamadre.

Djs vão tocar um set list inspirado nos clássicos do mestre do suspense Alfred Hitchcock. Quem quiser ganhar o cd com as seleções de músicas deve levar um desenho de um pássaro negro feito a mão para incrementar a decoração da festa.  Uma clara alusão e, possível brincadeira, com o filme Os Pássaros, de 1963.





Lembra de “Kids”?

1 12 2009

Uma foto postada por um amiga hoje no twitter, em função do Dia Mundial de Combate a AIDS, me fez lembrar do filme Kids, de Larry Clark. De alguma forma, a fotografia me remeteu ao modo cru como o diretor retratou a vida conturbada de adolescentes em Nova York, que viviam como se não houvesse amanhã.  Muitas drogas, e sexo raramente com camisinha.

Vi esse filme há alguns anos. Lembro que meu irmão pegou a fita VHS emprestada com uma amiga, e sem saber direito do que se tratava, eu o assisti. Alguns comentários sobre Kids também despertavam a curiosidade. Parece ser um dos primeiros filmes a tratar do trio sexo, drogas e juventude de maneira muito direta. As cenas um tanto realistas impressionam bastante, acho que esse foi o motivo da polêmica quando foi lançado em 1995.

Vendo alguns trechos hoje, recordo que a atriz Chloë Sevigny participa atuando nele bem novinha.





Camp de Thiaroye

26 11 2009

Domingo passado eu assisti um filme de um diretor senegalês, praticamente desconhecido, como acredito que seja grande parte da cinematografia africana para nós brasileiros e para o resto do mundo.

O filme que vi foi Camp de Thiaroye, uma das obras do diretor Ousmane Sembène e Thierno Fat Sow. A exibição aconteceu no Cine Humberto Mauro, dentro da programação do festival FORUMDOC deste ano, que está imperdível! Tem vários filmes interessantes, desde documentários etnográficos no modelo clássico até ficções.

Mas voltando ao filme…

Fonte: Divulgação

Em Camp de Thiaroye, Ousmane Sembène e Thierno Fat Sow contam a história de um grupo de soldados africanos que lutaram com os aliados contra os alemães durante a Segunda Guerra.

E após o retorno à África permanecem sob a tirania do exército francês, que os leva para o acampamento dos Thiaroye, onde ficam em regime de confinamento até o momento em que seriam dispensados para retornarem às suas cidades.  Sem poder sair livremente e sobrevivendo com uma ração alimentícia repugnante, alguns deles fazem associação direta com os campos de concentração nazistas, onde foram prisioneiros.

A partir daí os diretores destacam  a briga dos soldados pela própria dignidade e sobrevivência. Um episódio que mostra a reação deles é o sequestro do soldado americano em resposta ao sumiço do sargento Aloise Diata, que é levado e espancado por outros oficais americanos que o confundem com um desertor, enquanto ele visitava a cidade.

Depois de sair do hospital, Aloise Diata volta ao acampamento com visíveis ferimentos no corpo. Os soldados ficam felizes pelo retorno do sarjento, que também se torna o porta-voz do grupo cada vez mais unido. Contudo, eles se engajam em uma luta vã, pois o exército francês não esperava deles outra atitude além da submissão.

Esse fato transformado em filme por Ousmane Sembène e Thierno Fat Sow nos faz pensar sobre o colonialismo, que provocou inúmeras feridas na África.  É uma obra contundente e  impressionante capaz de gerar desconforto pelo absurdo da realidade retratada.





Bastardos Inglórios

6 11 2009

cartaz americano do filme Bastardos Inglórios

“Bastardos Inglórios” foi um dos últimos filmes que vi recentemente.  E apesar de um pouco longo e com algumas piadinhas desgastadas em relação a nazistas e judeus, eu gostei.

E e o público, então? Gargalhava. Acho que o motivo é claro. A última direção de Tarantino mantem a boa e conhecida receita: grandes doses de humor (até aquele que parece batido), sarcasmo e,  como não poderia faltar, momentos de intensa violência. Nesses o público nem sempre ria tanto.

Mas a pancadaria já era de se esperar. Ainda mais em se tratando de um filme que conta a história de um grupo, auto intitulado, Bastardos Inglórios que caçam nazistas e resolverm dar o troco nos oficiais do Führer.  Eles são liderados pelo comandante Aldo Raine (Brad Pitt).

Shosanna Dreyfus

Na França, ocupada pelo exército de Hitler, o grupo marcha com sede de vingança. E por isso o destino dos bastardos acaba se cruzando com o de Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent). Uma judia, cuja família foi exterminada pelo coronel Hanz Landa (Christoph Waltz), sendo ela a única sobrevivente, que foge para Paris, muda de nome e se torna a proprietária de um cinema. Onde mais tarde os oficiais do ditador nazista resolvem fazer uma sessão especial somente para convidados da alta cúpula do terror “nazi”.

Tarantino conta uma versão fantasiosa (por isso mesmo muito divertida), portanto não espere nenhuma aula de história no cinema!

Os diálogos, às vezes, parecem irritar por causa do jogo de esconde-esconde para tentar desviar a desconfiança dos assassinos de Hitler. E a trilha sonora é muito bacana. Tarantino acertou demais na escolha da música Cat People (Putting out fire), de David Bowie, para uma das cenas mais legais do filme.

E bom, o final é Tarantinesco! Veja e comente depois o que achou.





3ª Mostra CineBH destaca a co-produção internacional no cinema

16 10 2009

Durante cinco dias, um dos bairros mais tradicionais de Belo Horizonte, o Santa Tereza, vai sediar a Vila do Cinema, espaço onde está sendo realizada a terceira Mostra CineBH. A Vila, montada na Praça Duque de Caxias, é composta pelo  Cine-Praça, pela Cine-Tenda e o Cine Santa Tereza

De hoje a 20/10, vão ser exibidos 77 filmes, entre longas, médias e curtas metragens.  Além de debates e seminários com críticos, cineastas, produtores e presquisadores sobre a co-produção internacional no cinema, tema central deste ano.

A programação, inteiramente gratuita, integra filmes internacionais, como o inédito no Brasil “Independencia”, do diretor filipino Raya Martin. A participação de filmes estrangeiros é a novidade da terceira edição da mostra.

As produções brasileiras que vão estrear durante os próximos dias são:

“Os famosos e os duendes da morte”, primeiro longo do diretor Emir Filho; “Todo mundo tem problemas sexuais”, de Domingo Oliveira; e os documentários “Mamonas pra sempre, o Doc”, de Cláudio Kahns, “Dzi Croquettes” , de Tatiana Issa e Raphael Alvarez, “Dias dos Pais”, de Julia Murato e Leo Bittencourt, e “Só Dez por Cento é Mentira”, de Pedro Cezar.

Amanhã será exibido às 19h30 o longa “Nova York, Eu te amo”, filme dirigido por onze cineastas de vários países, inclusive a atriz Natalie Portman. É um projeto ambicioso, aliás com o mesmo produtor do semelhante “Paris, Eu te amo”, realizado em 2002 com a participação de vinte e dois diretores, entre eles o brasileiro Walter Salles.

A programação completa pode ser baixada no site da Mostra CineBH 2009.





Em cartaz: mostra de cinema polonês

20 04 2009

Com uma pesada na porta, o oficial de justiça Lucian Bohme entra arrogante e sem cerimônia na U.T.I. de um hospital. A cena que parece absurda marca o início do filme “O Meirinho”, em exibição na mostra que comemora os cem anos da cinematografia polonesa, realizada pelo Cine Humberto Mauro, com curadoria da Embaixada da República da Polônia no Brasil.

O jovem oficial é interpretado por Andrzej Chyra

O jovem oficial é interpretado por Andrzej Chyra

Bohme assusta o médico e o paciente internado, que não entendem porque ele está sinalizando os equipamentos da unidade de terapia intensiva que serão  penhorados, inclusive o desfibrilador! Indignado, o médico tenta impedí-lo mas não consegue porque o oficial executa o seu dever aplicando o rigor da lei, acrescido de uma dose considerável de crueldade.

Com a camera na mão, o diretor acompanha as intervenções do protagonista que tenta resolver os mandados judiciais da maneira menos amistosa possível. Atuando em uma região pobre e com pessoas desempregadas, o oficial parece não dar importância aos vários problemas da cidade.

Ingerindo um pedaço de pizza e uma latinha de energético, Bohme faz sua refeição do dia antes de resolver o próximo caso, acompanhado do seu  ajudante. Bastante autoconfiante para acreditar que jamais poderia errar, ele comete um deslize e aceita um suborno, que põe em cheque sua própria carreira.

O seu caráter inflexível e antipático aos sofrimentos alheios  é confrontado após alguns acontecimentos. O suicídio de um jovem e o reencontro com a primeira namorada o fazem pensar no indivíduo que se tornou ao longo da vida.  As relações viciadas e as decisões arbitrárias dos funcionários judiciais do local também se tornam mais claras para ele, principalmente quando sua situação profissional beira a tragédia.

“O Meirinho”(2005), ou “Komornik” (título original) é o último longa do roteirista,  diretor de cinema e teatro, Feliks Falk, que também escreve e dirige produções para televisão. O que pode ser percebido no modo como ele filma, que lembra o clima de alguns seriados de ação norte-americanos.

O filme será reprisado no dia 20/04 (segunda-feira), às 17h, e no dia 26/04 (domingo), às 20h.

Leia mais sobre a programação >

Por Carlos Andrei Siquara.





David Lynch dirige o primeiro videoclipe

18 04 2009

Conturbada e sombria, a animação tem tudo a ver com o título da música “Shot in the Back of the Head”, prevista para ser lançada em junho com o novo álbum  “Wait for me” produzido por Moby.

No vídeo, um homem segue ao encontro de uma mulher, mas ao se aproximarem ele é surpreendido com um tiro à queima roupa, que deixa o seu rosto desfigurado. Depois, o corpo dele imerge em uma espécie de nuvem escura de fios e estrelas, que só poderia ter saído da imaginação de David Lynch.  Confira!

A relação entre o diretor de cinema e o produtor de música eletrônica não é recente. Em 1991, Moby remixou o tema da série de televisão Twin Peaks, escrita e dirigida por David Lynch. A música que traduziu o clima da série foi criada pelo premiado compositor Angelo Badalamenti. Ele trabalha com Lynch desde 1986, quando produziu a trilha sonora do filme Blue Velvet.

O remix de Moby deu origem ao hit “Go”, que foi responsável por destacá-lo como um dos principais produtores de música eletrônica na época.

Por Carlos Andrei Siquara.





“Três Macacos” quase mudos, cegos e surdos.

12 04 2009

Ismail, filho de Hacer e Eyüp

Em uma estrada deserta, Servet dirige o automóvel sozinho com expressão cansada e displicente. No meio do caminho, o aspirante a político atropela e provoca a morte de uma pessoa. Abalado pelo acontecimento que poderia arruinar sua possível carreira política, o candidato às eleições locais na Turquia propõe um acordo a Eyüp, seu motorista particular: o empregado assumiria o crime em troca de uma boa quantia de dinheiro.

Ele aceita, e a partir daí a família de Eyüp se envolve em uma rede de mentiras da qual se torna díficil escapar e desfazê-la. O filho e a mulher tentam esconder do motorista, que fica na prisão por oito meses, o envolvimento amoroso dela com o patrão, Servet, em troca de quantias adiantadas de dinheiro.

Sob um céu sempre nublado, os personagens do filme quase não se falam, e na maior parte do tempo trocam olhares que apontam para a sensação de tormento provocada pelo silêncio comprado ou corrompido.  Sem trilha sonora, a trama se desenrola tensa e pesada, e mesmo quando o celular de Hacer, mulher de Eyüp, toca, soltando uma canção do país deles, a música parece irritante e descolada da realidade dos envolvidos.

...

Depois que Eyüp sái da prisão, ele desconfia da traição da mulher e pretende um acerto de contas, mas outra tragédia envolvendo seu patrão acontece, e a atmosfera parece pesar ainda mais sobre suas cabeças.

“Três Macacos”, ou “Üç maymun”, em turco, é o quinto filme do diretor Nuri Bilge Ceylan. Chegou a concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro neste ano, mas perdeu para Departures (Okuribito), do diretor japonês Yojiro Takita.

No ano passado, essa recente produção do cinema turco ganhou o prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cannes. E na minha opinião, o filme também poderia ser destacado pela fotografia que é muito bonita. Agora é uma boa oportunidade para assistí-lo, já que ‘Três Macacos” tem grande chance de ficar pouco tempo em cartaz.

Por Carlos Andrei Siquara.